EUA consideram coibir uso de modelos de IA chineses, diz site

Fontes ouvidas por reportagem afirmam que tema ganhou força recentemente e pode levar a medidas contra empresas americanas.

Giovanni Santa Rosa
Resumo
  • Governo dos EUA cogita coibir uso de modelos de IA chineses, por questões de segurança e proteção a empresas nacionais.
  • O modelo Kimi K3 tem capacidade de processar comandos longos e obteve resultados superiores a modelos de Anthropic e OpenAI em testes.
  • Discussões envolvem possíveis medidas contra empresas americanas que adotem IAs chinesas, como regras de licitação e inclusão na Lista de Entidades.

O governo dos Estados Unidos pensou em banir modelos chineses de inteligência artificial no país. Os esforços de parte da administração federal não tiveram sucesso, mas a medida voltou a ser cogitada nas últimas semanas, com o lançamento de ferramentas mais potentes desenvolvidas no país asiático.

Fontes ouvidas pelo site Axios dizem que as movimentações do ano passado visavam uma proibição direta. Dessa vez, porém, a ofensiva pode se concentrar em uma narrativa de que os modelos chineses não são seguros.

O que aconteceu para a medida voltar a ser discutida?

Segundo o Axios, o lançamento do modelo Kimi K3, desenvolvido pela startup chinesa Moonshot AI, trouxe a proibição de volta ao horizonte da administração de Donald Trump.

Essa ferramenta tem janela de contexto de 1 milhão de tokens, o que permite processar comandos extremamente longos. Em testes cegos, em que usuários julgam qual a melhor resposta para um mesmo prompt, o Kimi obteve resultados superiores aos modelos mais recentes de Anthropic e OpenAI.

O Kimi K3 segue o modelo de pesos abertos, o que significa que a desenvolvedora revela os parâmetros numéricos, mas não o código e o processo de treinamento do modelo. Por isso, existe o temor de que o país asiático possa entregar modelos de IA mais baratos e com desempenho similar ao de empresas americanas.

Por que as IAs chinesas ainda não foram proibidas nos EUA?

A posição não é unânime entre as autoridades federais americanas. Enquanto uma parte defende combater as IAs da China, outra ala teme que uma proibição prejudique a livre concorrência, comprometendo a inovação no setor.

David Sacks, conselheiro da Casa Branca para assuntos de inteligência artificial, declarou que os EUA já têm um duopólio no setor e que essas duas empresas querem que o governo elimine concorrentes abertos. Apesar de não falar abertamente, Sacks deve estar se referindo à OpenAI e à Anthropic.

No entanto, essa posição pode estar perdendo força dentro da administração Trump. O Axios descreve que conselheiros ligados aos setores de tecnologia e capital de risco não têm mais a mesma influência, com pessoas ligadas a temas de segurança nacional ganhando voz nas discussões.

Mesmo assim, uma proibição direta não deve ser o caminho adotado pela Casa Branca. Uma das fontes ouvidas pelo Axios menciona regras de licitação, ameaças de inclusão na temida Lista de Entidades e campanhas de pressão pública como métodos mais prováveis. Essas posturas seriam voltadas às empresas americanas, como forma de desencorajá-las de adotar as IAs chinesas.

China também discute medidas

Enquanto isso, a China também avalia como se posicionar em meio à corrida pelo desenvolvimento da inteligência artificial. Pequim considera proibir a exportação de modelos de IA, além de criar leis mais duras contra vazamentos de código e restringir investimentos estrangeiros em startups locais.

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.