Meta é acusada de usar IA para decidir demissões

Processo movido por ex-funcionários alega que ferramentas usadas afetaram pessoas que precisaram se ausentar por motivos médicos ou familiares.

Giovanni Santa Rosa
Resumo
  • A Meta foi acusada por 26 ex-funcionários de usar um software com inteligência artificial para decidir quem seria demitido durante os layoffs.
  • A ferramenta teria apontado de forma desproporcional pessoas com deficiências ou que precisaram de licença médica.
  • A Meta nega o mérito das acusações, afirmando que o gerenciamento de pessoal e as decisões organizacionais são feitas por pessoas, não por IA.

Em um processo movido contra a Meta, 26 ex-funcionários da empresa a acusam de usar um software com inteligência artificial para decidir quem seria demitido durante os layoffs. A ferramenta teria apontado de forma desproporcional pessoas com deficiências ou que precisaram de licença médica.

A Meta nega o mérito das acusações. “O gerenciamento de pessoal e as decisões organizacionais são feitas por pessoas, não por IA”, disse um porta-voz da companhia.

Qual é a acusação dos ex-funcionários da Meta?

Na ação, eles argumentam que a companhia tomou como base a produtividade e o uso de tokens de IA na hora de selecionar quem seria cortado. Dessa forma, quem precisou se ausentar por condições médicas ou familiares ficou em desvantagem.

Os ex-funcionários também afirmam no processo que a Meta usa sistemas com IA para dar pontuações aos empregados. Entre eles, estão o assistente Metamate; um “segundo cérebro” que rastreia comunicações e documentos; e um score de produtividade baseado em uso de teclado, conteúdo da tela, e-mails e histórico de navegação.

Meta vive clima de velório após layoff

O processo surge meses depois de a Meta promover uma demissão em massa de cerca de 8 mil funcionários, o equivalente a 10% de sua força de trabalho global. Outros 10% foram transferidos para ajudar no treinamento de novos modelos de IA rotulando dados.

Se quem saiu está reclamando, quem ficou parece não ter muitos motivos para comemorar — alguns, inclusive, estariam preferindo a demissão.

Os cortes levaram a uma queda na remuneração anual média, que passou de US$ 417 mil (R$ 2,12 milhões) para US$ 388 mil (R$ 1,97 milhão). Além disso, a companhia chegou a adotar software de monitoramento de teclado e mouse também para treinar uma IA, mas recuou e pausou o programa.

Por isso, Andrew Bosworth, diretor-geral de tecnologia da Meta, teria admitido que o moral da equipe estava no pior patamar da história. Mesmo assim, a reestruturação ainda não deu resultados técnicos, com o CEO Mark Zuckerberg insatisfeito com o progresso da empresa no campo dos agentes de IA.

Na parte financeira, por outro lado, tudo certo: a gigante das redes sociais teve US$ 26,8 bilhões (R$ 136,4 bilhões) de lucro no primeiro trimestre de 2026.

Com informações da Reuters.

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.