A divulgação do conteúdo de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do banco Master, chamou atenção para uma questão que vai além do caso envolvendo o empresário: como a Polícia Federal consegue acessar dados de um celular mesmo quando o proprietário não fornece a senha?

Apagou a mensagem? Veja como a PF consegue recuperar dados de um celular

O Caso de Daniel Vorcaro

No caso, as mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) incluem conversas de Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes e outras figuras políticas. Parte das comunicações teria sido enviada de maneira planejada para reduzir os rastros deixados no WhatsApp, incluindo mensagens de visualização única.

PF não recuperou as mensagens do WhatsApp

Segundo o material da investigação, Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do celular, fazia uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp como mensagem de visualização única. O interlocutor também utilizava mecanismos destinados a diminuir os vestígios das comunicações.

A perícia, porém, não recuperou as conversas diretamente do WhatsApp. Os investigadores encontraram as anotações e imagens que permaneceram armazenadas no próprio aparelho. Esses arquivos, combinados com registros do sistema, permitiram reconstituir parte do conteúdo das comunicações.

Ferramentas Utilizadas pela PF

O empresário não forneceu a senha de desbloqueio do iPhone 17 Pro apreendido. Ainda assim, segundo a reportagem, a perícia conseguiu utilizar ferramentas especializadas para acessar informações armazenadas no dispositivo.

Cellebrite e GrayKey

Peritos podem recorrer a sistemas desenvolvidos especificamente para desbloquear celulares e extrair dados. Entre as soluções utilizadas pela PF estão o Cellebrite, desenvolvido em Israel, e o GrayKey, dos Estados Unidos.

Essas ferramentas exploram falhas de segurança para contornar o bloqueio da tela e permitir o acesso ao conteúdo do aparelho. Com o dispositivo desbloqueado, os peritos podem extrair informações como mensagens, fotos e vídeos armazenados localmente.

Recuperação de Dados

A partir da extração, a perícia também pode encontrar informações que não correspondem necessariamente ao conteúdo de uma conversa. Dados de localização, registros de aplicativos e metadados de arquivos podem ajudar a identificar informações sobre quando ou onde determinados registros foram produzidos.

Iped (Indexador e Processador de Evidências Digitais)

Depois da extração, a PF utiliza uma ferramenta própria para analisar o grande volume de informações obtidas durante a perícia. O sistema é chamado de Iped (Indexador e Processador de Evidências Digitais).

A solução funciona como uma espécie de mecanismo de busca para evidências digitais. Ela indexa arquivos e organiza conteúdos como mensagens, fotos e documentos, permitindo que os peritos façam pesquisas por palavras-chave.

O sistema também é capaz de transcrever áudios, facilitando a análise de diferentes formatos de arquivos encontrados nos aparelhos investigados.

Conclusão

A Polícia Federal (PF) consegue recuperar dados de um celular mesmo quando o proprietário não fornece a senha, usando ferramentas especializadas para desbloquear dispositivos e analisar informações armazenadas. Essas soluções permitem a extração de dados, mesmo que não possam ser diretamente recuperadas do WhatsApp ou outros aplicativos.

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