Introdução

Criminosos virtuais estão ampliando o foco de malwares que roubam informações para capturar contas de inteligência artificial usadas dentro de empresas. O objetivo pode ir além de obter uma senha: uma sessão comprometida do ChatGPT ou de outra plataforma pode expor históricos de conversas, códigos, documentos internos e até chaves usadas para acessar modelos de IA.

Hackers agora miram roubo de contas de IA para acessar dados sensíveis de empresas

Aumento da Ameaça

Um levantamento da empresa de cibersegurança SOCRadar analisou mais de 1 milhão de registros coletados por infostealers, tipo de malware especializado em roubar informações armazenadas em dispositivos infectados. Os dados estavam relacionados a serviços de IA e envolviam mais de 80 mil domínios corporativos.

Por Que Contas de IA Interessam aos Criminosos

Infostealers normalmente são distribuídos por diferentes meios, como softwares adulterados, páginas maliciosas e campanhas de phishing. Uma vez no computador, o malware pode coletar senhas salvas no navegador, cookies de sessão, tokens de autenticação e chaves de API.

Com a adoção de ferramentas de IA no trabalho, essas informações ganharam valor adicional. Funcionários podem enviar códigos-fonte, contratos, dados de clientes e informações sobre projetos ainda não anunciados para chatbots, por exemplo. Caso um invasor consiga assumir uma sessão ativa, parte desse histórico pode ficar acessível.

Problemas com Cookies de Sessão

Há ainda um problema com os cookies de sessão. Eles mantêm o usuário autenticado depois do login e, dependendo das proteções adotadas pelo serviço, podem permitir que um criminoso reutilize uma sessão roubada sem precisar digitar novamente a senha. Uma simples troca de senha pode, portanto, não encerrar todos os acessos comprometidos.

O Impacto do ChatGPT

Entre as 482 empresas analisadas pela SOCRadar, credenciais ou sessões relacionadas ao ChatGPT e à OpenAI apareceram em 358 delas. Esses casos concentraram cerca de 90% dos registros encontrados no recorte da pesquisa.

Chaves de API

Outro alvo são as chaves de API, credenciais usadas por programas e sistemas para acessar modelos de IA. Depois de roubadas, elas podem ser usadas para consumir recursos pagos pela vítima ou revendidas a terceiros.

Conclusão

A SOCRadar afirma ter encontrado anúncios em fóruns clandestinos oferecendo chaves de Claude, cookies de sessões pagas do ChatGPT e acessos a outras ferramentas de IA. O GTIG também relata casos de criminosos usando contas, créditos ou infraestrutura pertencentes a outras pessoas e empresas para consumir recursos pagos pela vítima.

A adoção de ferramentas de IA no trabalho está aumentando a importância desses contatos e, consequentemente, a atenção dos criminosos virtuais. É essencial que as empresas implementem medidas de segurança apropriadas para proteger esses contatos e dados sensíveis.

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