Os Estados Unidos anunciaram que interromperam uma operação de hackers ligados à China que realizou invasões e tentativas de acesso a redes sensíveis desde pelo menos 2018. Os alvos incluíram sistemas do próprio Departamento de Justiça, da NASA, do Federal Reserve, do Senado e de outras estruturas consideradas sensíveis nos EUA e em outros países.

Hackers ligados à China atacaram NASA, Senado e órgãos dos EUA, diz governo

O Escalão de Ataques

Os ataques começaram há pelo menos oito anos, com invasões e tentativas de acesso a infraestruturas críticas e redes sensíveis nos EUA e em diferentes países. Em agosto de 2019, os invasores tentaram acessar redes da NASA explorando uma vulnerabilidade em uma rede privada virtual (VPN), mas não conseguiram entrar nos sistemas. Em setembro de 2024, os hackers conseguiram invadir três laboratórios do Departamento de Energia, os Institutos Nacionais de Saúde, uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos e uma fabricante estadunidense de equipamentos de segurança. Em maio de 2024, foram registrados casos de roubo de dados de empresas do setor de defesa, instituições financeiras e universidades. Em março de 2026, os hackers fizeram varreduras em busca de vulnerabilidades e tentaram acessar redes do Senado dos EUA e de um hospital estadunidense.

Plataformas de Ataque

Como parte da ação, o Departamento de Justiça apreendeu os domínios de duas plataformas usadas para ataques cibernéticos, chamadas QScan e QTRouter. Segundo as autoridades estadunidenses, os serviços faziam parte da campanha de invasões. As duas plataformas eram administradas pela Nanjing Xinjiuwei Network Technology Company, empresa sediada na China. Entre os clientes da companhia estavam o Ministério da Segurança do Estado da China, responsável pela inteligência civil do país, e o Exército de Libertação Popular.

Vítimas

O documento apresentado à Justiça identificou como vítimas o Departamento de Energia dos EUA, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e quatro empresas não identificadas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. A embaixada da China em Washington contestou a acusação estadunidense, afirmando que o governo chinês não conhecia os detalhes específicos mencionados pelo Departamento de Justiça, mas declarou que a China “se opõe firmemente e combate todas as formas de ataques cibernéticos de acordo com a lei”. O representante também acusou os Estados Unidos de utilizar questões de segurança cibernética para “difamar ou desacreditar a China” e de ampliar o conceito de segurança nacional para impor restrições discriminatórias a empresas chinesas. Segundo a embaixada, Pequim pretende proteger os direitos e interesses legítimos das empresas do país.

Conclusão

O caso se soma a uma série de ataques atribuídos a grupos ligados à China contra redes governamentais e empresas privadas dos Estados Unidos nos últimos anos. Empresas privadas são frequentemente contratadas para realizar operações em nome de diferentes órgãos do governo chinês. A China declarou que se opõe firmemente e combate todas as formas de ataques cibernéticos de acordo com a lei, mas também criticou os Estados Unidos por utilizar questões de segurança cibernética para difamar ou desacreditar a China e ampliar o conceito de segurança nacional para impor restrições discriminatórias a empresas chinesas.

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