Um meteorito de Marte, descoberto na Argélia em 2019, tem aproximadamente 1,273 bilhão de anos e apresenta composição isotópica nunca observada antes em um tipo comum de meteorito marciano. Chamado Northwest Africa (NWA) 13441, o meteorito foi analisado por pesquisadores do Boston College em colaboração com cientistas da Scripps Institution of Oceanography e da Open University, do Reino Unido. O estudo foi publicado em 1º de agosto na revista Geochimica et Cosmochimica Acta.

Marte: meteorito de 1,27 bilhão de anos tem composição nunca vista antes

Idade do Meteorito

A idade do NWA 13441 é especialmente importante porque ele pertence a um período que representa uma grande lacuna no conhecimento sobre a evolução geológica de Marte. Meteoritos marcianos só chegam à Terra depois de serem lançados ao espaço após impactos na superfície de Marte. Até hoje, foram encontrados aproximadamente 400 meteoritos provenientes de Marte, o que limita as amostras disponíveis para os pesquisadores. A maior parte dos meteoritos marcianos do grupo conhecido como shergottitos, que são rochas ígneas formadas a partir da solidificação de magma, é geologicamente jovem, com menos de 600 milhões de anos. O problema é que existe uma enorme lacuna entre essas amostras e os shergottitos mais antigos conhecidos, que têm cerca de 2,4 bilhões de anos. Isso deixa aproximadamente 1,8 bilhão de anos da história geológica de Marte sem amostras de shergottitos que permitam investigar diretamente a atividade do planeta. Existem dois outros grupos raros de meteoritos marcianos, chamados chassignitos e nakhlitos, datados de aproximadamente 1,3 a 1,4 bilhão de anos. No entanto, eles possuem características químicas diferentes dos shergottitos.

Composição Isotópica

O NWA 13441 chamou a atenção dos pesquisadores não apenas pela idade, mas também pela sua composição. A equipe analisou, entre outros elementos, o neodímio, elemento naturalmente encontrado na Terra que possui sete isótopos. A composição isotópica de neodímio do NWA 13441 corresponde ao valor associado ao sistema solar primordial, algo que não havia sido observado em nenhum outro shergottito. Essa assinatura “condrítica” no NWA 13441 é considerada especialmente surpreendente porque ela sugere que uma parte profunda de Marte permaneceu praticamente inalterada desde os primeiros momentos da formação do planeta. Em outras palavras, a composição encontrada no meteorito pode ser uma espécie de registro preservado de materiais muito antigos do interior marciano. Essa característica também ajuda os pesquisadores a estabelecer novos limites para os processos que ocorreram no sistema solar primordial durante a formação de Marte.

Conclusão

A descoberta do NWA 13441 oferece uma oportunidade única para os cientistas explorarem o passado geológico de Marte e entenderem melhor como o planeta se formou e evoluiu ao longo do tempo. A composição isotópica nunca vista antes em um tipo comum de meteorito marciano pode fornecer pistas valiosas sobre a história geológica de Marte e como o planeta se desenvolveu em comparação com outros planetas do Sistema Solar.

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