Muse e Permissões de Acesso
A Meta negou que o Muse, seu novo agente de inteligência artificial (IA), consiga acessar mensagens privadas sem autorização. O caso envolve Jason Aten, colunista da Inc., que testou o Muse em um Mac mini. Durante o experimento, a IA sugeriu que uma conversa recente com o coapresentador de seu podcast poderia virar uma pauta e também mencionou uma mensagem enviada por seu editor. Aten afirma que não havia autorizado o agente a ler suas conversas.
A Meta contesta essa versão, afirmando que a integração do Muse com o aplicativo Mensagens do macOS precisa ser ativada pelo próprio usuário e depende de permissões concedidas no sistema operacional. A empresa explica que o usuário precisa habilitar o 'Acesso Total ao Disco' no macOS e liberar o conector do Mensagens para que o agente possa consultar o conteúdo das conversas. Essa configuração ainda passa pelas próprias definições de segurança do sistema da Apple e exige uma confirmação manual.
David Singleton, executivo da Meta Superintelligence Labs, afirmou que existem três etapas envolvendo permissões do aplicativo e proteções do macOS antes que o Muse consiga acessar as mensagens. De acordo com ele, essas barreiras não poderiam ser contornadas nem mesmo por um erro no aplicativo.
Muse e a Autonomia
O Muse é um agente pessoal de IA criado para executar tarefas em nome do usuário. A proposta vai além de responder perguntas: a ferramenta pode navegar pela internet, preencher formulários, organizar compromissos, enviar e-mails e realizar compras, dependendo das permissões concedidas. O agente funciona em uma máquina virtual dedicada na nuvem chamada Muse Secure VM. Segundo a Meta, esse ambiente armazena os dados e as credenciais dos serviços conectados e é isolado das máquinas virtuais de outros usuários.
O componente chamado Sentinel controla ações externas do agente. O sistema pode interromper uma tarefa e solicitar aprovação do usuário quando identifica operações que exigem consentimento, além de controlar o tráfego de rede gerado pelo Muse.
A versão para Mac ganhou mais recursos durante o Meta Connect 2026. Com autorização, o Muse pode operar aplicativos instalados no computador, gerenciar mensagens e procurar arquivos enquanto executa tarefas em segundo plano.
Outras Polêmicas
O Muse já enfrenta outras dúvidas sobre permissões. O YouTuber Matt Robb contou que deixou o Muse cuidar da venda de um teclado no Facebook Marketplace. A IA negociou com um interessado e enviou o endereço de Robb, o que fez com que o comprador aparecesse no prédio sem que o dono estivesse esperando pela visita. Depois, Robb descobriu que havia escolhido a opção 'Allow Always' (“Sempre permitir”, em tradução livre) ao autorizar o Muse a responder compradores. Ele acreditava que ainda precisaria aprovar ofertas e outras ações posteriormente, mas a permissão também permitiu que o agente enviasse mensagens usando informações fornecidas anteriormente, incluindo o endereço de retirada.
A Meta disse que estuda deixar essa tipo de autorização mais claro para os usuários.
Conclusão
O Muse é uma ferramenta ambiciosa e potente, mas também é uma fonte de preocupações sobre privacidade e permissões. A Meta está trabalhando para clarificar essas questões e garantir que os usuários entendam completamente como o agente funciona e como podem controlar suas permissões.