O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou uma ação civil pública contra a Tools for Humanity Corporation, responsável pelo projeto World ID, e contra a Amazon AWS Serviços Brasil, apontando supostas irregularidades na coleta de dados biométricos por meio do escaneamento da íris de consumidores na capital paulista.

MP de SP pede indenização milionária de empresa de escaneamento de íris

Fato Revelado

O pedido principal da ação, proposta pela Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital, solicita que a Justiça reconheça as práticas adotadas pelas empresas como abusivas, determine a proibição definitiva da coleta de dados biométricos da íris mediante compensação financeira e obrigue a eliminação irreversível das informações já coletadas.

Danos Morais Coletivos e Individuais

A Promotoria pede a condenação das empresas ao pagamento de, no mínimo, R$ 240 milhões por danos morais coletivos, bem como a reparação de eventuais prejuízos individuais sofridos pelos consumidores.

Preservação de Dados e Relatórios

Em caráter liminar, a promotora Patrícia Leitão também requer a preservação de dados, registros e metadados relacionados ao processo de coleta da íris, além da apresentação de contratos e relatórios sobre o armazenamento dessas informações, além da identificação da empresa do grupo Amazon responsável pela hospedagem dos dados.

Exploração de Pessoas Vulneráveis

De acordo com a ação, as investigações indicaram que a coleta das imagens da íris foi concentrada em regiões periféricas e em locais de grande circulação de pessoas, como áreas próximas a estações de metrô e unidades do Poupatempo. Segundo o Ministério Público, a estratégia teria atingido principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Vício no Consentimento

A Promotoria afirma que os participantes não receberam informações claras sobre diversos aspectos do projeto, incluindo sua finalidade econômica, os riscos relacionados ao tratamento dos dados biométricos, a transferência das informações para o exterior e a possibilidade de armazenamento em servidores da Amazon Web Services (AWS).

Suspensão do Projeto

O projeto World ID havia sido suspensa em fevereiro de 2025, após questionamentos de órgãos reguladores e investigações sobre a forma de obtenção e utilização dos dados biométricos dos participantes.

Relatório da CPI da Íris

O processo judicial tem como base o relatório final da CPI da Íris, aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal de São Paulo em abril deste ano. O relatório concluiu que o modelo de atuação da empresa apresenta elevados riscos jurídicos, sociais e tecnológicos, além de apontar possíveis desconformidades com a legislação brasileira nas áreas de proteção de dados pessoais, defesa do consumidor e regulação financeira.

Companhias Responsáveis

A ação foi proposta contra a Tools for Humanity Corporation, responsável pelo projeto World ID, e contra a Amazon AWS Serviços Brasil, que hospedava os dados coletados.

Conclusão

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) busca punir as empresas por suas práticas de coleta de dados biométricos, destacando a importância de garantir a privacidade e proteger os direitos dos consumidores em São Paulo.

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