A Imagem da Ciência e a Aceptação de Teorias Conspiratórias

Pesquisadores identificaram que indivíduos que valorizam a ciência podem aderir a teorias conspiratórias, como dúvidas infundadas sobre vacinas ou alegações sem comprovação sobre fenômenos ambientais. A análise, publicada na revista Current Psychology, revela que a maneira como indivíduos imaginam o avanço científico e os meios de consumo de informações influencia essas crenças mais do que fatores como escolaridade.

O estranho caso de quem confia na ciência e acredita em conspirações

Mentalidade do Gênio e Fontes Informais de Divulgação

O estudo conduzido por Michele d’Errico e Taha Yasseri identificou uma relação entre a chamada ‘mentalidade do gênio’ e a preferência por fontes informais de divulgação científica, como podcasts e documentários. Participantes com maior pontuação nesses critérios apresentaram maior tendência a concordar com teorias conspiratórias.

Influência da Visão do ‘Gênio Solitário’

Os autores argumentam que a questão central não está apenas no nível de confiança depositado nos cientistas, mas na maneira como a pessoa entende a produção do conhecimento científico. A pesquisa aponta que uma parcela do público associa ciência a sinais externos de autoridade, como números precisos, equipamentos sofisticados, termos técnicos e títulos acadêmicos, sem necessariamente compreender os métodos usados para validar descobertas.

Mitos da Ciência e Teorias Conspiratórias

Representações populares da ciência frequentemente reforçam uma narrativa em que grandes descobertas surgem da atuação de uma única pessoa extraordinária. Filmes, documentários e biografias costumam apresentar cientistas como figuras que enfrentam rejeição inicial, permanecem firmes em suas ideias e acabam reconhecidas posteriormente. Essa construção deixa de lado os mecanismos coletivos que sustentam a ciência, como avaliação por outros especialistas, reprodução de experimentos, debates e revisões constantes. O conhecimento científico confiável não depende apenas de uma ideia brilhante, mas de processos compartilhados de verificação.

Exemplos de Teorias Conspiratórias

Um exemplo citado no estudo envolve o químico italiano Corrado Malanga e o pesquisador de radar Filippo Biondi, que afirmaram ter encontrado uma estrutura subterrânea sob a pirâmide de Quéfren, no Egito, usando imagens de radar por satélite. Apesar das críticas dos arqueólogos, Biondi apresentou a hipótese em janeiro de 2026 no podcast The Joe Rogan Experience, alcançando uma grande audiência. O episódio ilustra como conteúdos com aparência científica podem ganhar alcance mesmo quando especialistas questionam suas bases.

Conclusão

Informações com aparência científica podem aumentar a aceitação de falsas alegações, mesmo que as pessoas que confiam na ciência possam aderir a teorias conspiratórias. A pesquisa destaca a importância de entender a maneira como a ciência é representada e consumida para minimizar a aceitação de teorias sem evidências.

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