O Google anunciou nesta quinta-feira (24) que vai dobrar a infraestrutura técnica que tem no Brasil até 2030. Mas, mesmo com o boom da inteligência artificial (IA) e com a aprovação do Redata, regime criado para estimular novos data centers no país , , a big tech ainda não confirma a construção de um novo grande data center em território nacional.

O que falta para o Google construir um novo data center no Brasil?

O que Faz o Google Esperar?

Em coletiva de imprensa durante o Google Cloud Summit Brasil, o Canaltech questionou Eduardo López, presidente do Google Cloud para a América Latina, sobre o que ainda falta para que a companhia construa um novo grande data center no Brasil.

A primeira reação do executivo veio em tom de brincadeira: ‘Eu perguntaria para você: por que você acha que o que nós temos hoje não é grande?’. Na sequência, López explicou que o principal fator considerado pelo Google na hora de definir novos investimentos é a demanda. ‘Todo o nosso desenho de investimento tem a ver com a demanda’, afirmou. Segundo ele, a decisão de dobrar a capacidade no país representa uma aposta no crescimento do uso das plataformas do Google Cloud e das ferramentas de IA pelas empresas brasileiras.

O Redata: Um Fator Favorável

Em 15 de setembro, o Governo Federal sancionou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). A legislação reduz a carga tributária sobre equipamentos destinados à implantação, modernização e ampliação de centros de dados, mas exige uma série de contrapartidas das empresas beneficiadas. Uma delas está alinhada com o discurso de soberania digital adotado pelo Google nesta quinta-feira. Empresas que aderirem ao programa terão de destinar ao mercado brasileiro ao menos 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados instalada com os incentivos do Redata. Hoje, segundo o Governo, cerca de 60% das cargas digitais brasileiras são processadas fora do país.

O Redata também estabelece exigências ambientais. Os data centers beneficiados precisam atender toda a demanda contratada de eletricidade com energia proveniente de fontes renováveis ou de baixa emissão, além de cumprir critérios de eficiência hídrica. A exigência energética encontra um Google que vem ampliando projetos ligados à descarbonização no país. A empresa anunciou recentemente sua maior compra de remoção de carbono até hoje, ligada a um projeto da Terradot que atua, entre outras áreas, em fazendas de arroz no Rio Grande do Sul.

A iniciativa pretende eliminar o equivalente a 1 milhão de toneladas de CO2 no curto prazo até 2030 e remover permanentemente outro 1 milhão de toneladas até 2040. O projeto não envolve a construção de data centers, mas se encaixa em uma das questões centrais para a expansão desse tipo de infraestrutura: como aumentar a capacidade computacional exigida pela IA sem ampliar na mesma proporção as emissões de carbono.

A Importância dos Cabos Submarinos

O Google também anunciou que, a partir de 15 de outubro, o Gemini Enterprise terá processamento local de dados do Gemini 3.5 Flash. Além disso, máquinas virtuais G4 equipadas com GPUs Nvidia RTX Pro 6000 Blackwell já estão disponíveis na região de nuvem de São Paulo. A localização é especialmente relevante para empresas que precisam manter dados e processamento dentro do território brasileiro por questões regulatórias, de segurança ou soberania.

Ainda assim, dobrar a infraestrutura não significa necessariamente construir um novo campus de data center. Data center é só uma parte da equação. O executivo citou os cabos submarinos como outro componente essencial. Eles ligam a infraestrutura brasileira à rede global do Google e ajudam a reduzir o tempo necessário para que informações circulem entre diferentes regiões.

Conclusão

O Google anunciou planos para dobrar sua infraestrutura no Brasil até 2030, mas ainda não confirmou a construção de um novo data center. A aprovação do Redata e o boom da IA ajudam, mas a demanda é o principal fator considerado pela empresa. O Google também está ampliando seus esforços para aumentar a capacidade computacional sem aumentar as emissões de carbono, e está investindo em projetos de descarbonização. A localização e os cabos submarinos também são fatores importantes para a expansão da infraestrutura do Google no Brasil.

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