O estudo publicado na revista Nature Climate Change, liderado por René van Westen do Instituto de Pesquisa Marinha e Atmosférica de Utrecht, examina a influência da velocidade de aquecimento no sistema oceânico da AMOC.
A Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC)
A AMOC é um mecanismo responsável por transportar águas quentes das regiões tropicais para o Atlântico Norte, contribuindo para manter temperaturas relativamente amenas na Europa Ocidental.
A Importância da Velocidade do Aquecimento
Pesquisadores identificaram que a velocidade do aquecimento global pode ser tão determinante quanto o nível de temperatura para a estabilidade da AMOC. O estudo revela que um aumento acelerado das temperaturas pode levar a circulação a perder estabilidade em um patamar de aquecimento muito menor do que o previsto em estudos baseados apenas em um limite térmico.
Simulações Climáticas
Os resultados foram obtidos por meio de modelos climáticos desenvolvidos para comparar diferentes velocidades de crescimento do CO2 atmosférico. A conclusão ajuda a explicar por que projeções anteriores chegaram a limites distintos para uma possível ruptura da circulação e reforça que reduzir a velocidade do aquecimento pode diminuir o risco de uma mudança abrupta no sistema oceânico.
Capacidade de Reorganização do Oceano
A AMOC reúne correntes oceânicas responsáveis por transportar águas quentes das regiões tropicais em direção ao Atlântico Norte. Esse mecanismo redistribui calor pelo planeta e contribui para manter temperaturas relativamente amenas na Europa Ocidental. O novo trabalho, liderado pelo pesquisador René van Westen, do Instituto de Pesquisa Marinha e Atmosférica de Utrecht, questiona a ideia de que exista uma temperatura única capaz de determinar, por si só, o colapso da circulação. A equipe avaliou a influência da velocidade da transformação climática sobre a capacidade de adaptação do oceano.
Diferentes Velocidades de Crescimento do CO2
Os pesquisadores executaram duas simulações climáticas com crescimento progressivo da concentração atmosférica de dióxido de carbono. A diferença estava na velocidade dessa elevação: em um caso, o aumento foi de 0,5 parte por milhão ao ano; no outro, chegou a 2,5 partes por milhão anuais, valor comparável ao ritmo atual mencionado no estudo. Os resultados foram contrastantes. No cenário de mudança mais lenta, a AMOC permaneceu estável mesmo depois de o aquecimento superar 4°C e continuou sem colapsar quando a temperatura chegou a 5°C. Na situação de crescimento mais rápido do CO2, por outro lado, a circulação perdeu estabilidade por volta de 2°C de aquecimento.
Conclusão
A diferença foi atribuída à capacidade de reorganização do oceano. Henk Dijkstra, professor de Oceanografia Dinâmica e um dos autores do estudo, explicou que uma transformação mais gradual permite que diferentes camadas oceânicas, da superfície às maiores profundidades, se ajustem progressivamente às novas condições. Em uma mudança mais veloz, esse processo de adaptação não acompanha a transformação do clima. Os pesquisadores estimaram que a velocidade crítica do aquecimento fica próxima de 0,3°C por década. Segundo Van Westen, esse ritmo está próximo daquele que o planeta já alcança. A comparação utilizada pelo pesquisador é a de um veículo que se aproxima de uma barreira: quanto maior a velocidade, menos tempo existe para alterar a trajetória.
Conclusão
A nova análise oferece uma possível explicação para a divergência entre essas estimativas. O estudo também procura contextualizar resultados anteriores do mesmo grupo, que demonstraram que o aumento da água de degelo no Atlântico Norte pode reduzir a estabilidade da AMOC.
Conclusão
Os resultados do estudo reforçam a importância de reduzir a velocidade do aquecimento para mitigar riscos potenciais à estabilidade da AMOC e, consequentemente, à estabilidade climática global.