O Snapchat, YouTube e LinkedIn estão liderando um movimento cada vez mais forte para combater a proliferação de textos, imagens e vídeos falsos gerados integralmente por ferramentas de inteligência artificial (IA). Esse tipo de conteúdo, frequentemente chamado de 'AI slop' ou 'lixo de IA', se espalhou rapidamente pela internet à medida que a corrida tecnológica facilitou o acesso a programas capazes de criar desde redações inteiras a vídeos ultra-realistas em questão de segundos.
Snapchat
A Snap, empresa responsável pelo Snapchat, anunciou que deixará de recomendar vídeos criados inteiramente por IA em sua popular aba Spotlight. Em vez disso, a prioridade voltará a ser o “conteúdo autêntico e feito por humanos”. A empresa fez questão de esclarecer que não proibirá totalmente o uso da tecnologia, materiais que apenas utilizem IA como auxílio de edição ou aprimoramento continuarão aparecendo no feed. No entanto, a Snap reconheceu abertamente que materiais 100% automatizados tendem a ser de baixa qualidade, repetitivos e distantes do que a comunidade deseja consumir.
LinkedIn e Substack
O cenário reflete um incômodo generalizado. Chris Best, cofundador e CEO da plataforma de newsletters Substack, desabafou recentemente ao apresentar uma ferramenta para leitores identificarem textos criados por algoritmos: “Está cada vez mais difícil saber o que é real na internet”. Além disso, um levantamento paralelo apontou um efeito colateral preocupante: quanto mais conteúdos falsos gerados por IA as pessoas veem nas redes sociais, menor é a confiança delas na veracidade de qualquer outra publicação que encontram online.
O LinkedIn, focado no ambiente profissional, também reagiu fortemente. A rede lançou um recurso que permite aos usuários denunciarem postagens ou comentários com suspeita de autoria robótica. Segundo Hari Srinivasan, diretor de produtos do LinkedIn, combater o “lixo de IA” virou prioridade máxima. Apenas nos últimos meses, a rede bloqueou bilhões de tentativas de comentários automatizados, interceptando centenas de milhares de spams diariamente. Como parte da nova política, o LinkedIn também removeu um atalho automático que sugeria aos usuários “melhorar o texto com IA” antes de publicar, retornando a uma ferramenta simples de revisão gramatical.
YouTube
O YouTube também atualizou suas diretrizes de monetização para desestimular o preenchimento da plataforma com o que chama de “conteúdo inautêntico”. Investigações realizadas no último ano revelaram a existência de centenas de canais operados exclusivamente por IA, muitos deles acumulando milhões de inscritos e faturando fortunas. Para conter o avanço dessas “fazendas de conteúdo”, a plataforma de vídeos pertencente ao Google estabeleceu três critérios de vídeos que perderão o direito de gerar receita publicitária: produções genéricas, repetitivas ou baseadas em modelos padronizados.
Matt Halperin, chefe da divisão de Confiança e Segurança do YouTube, ressaltou em entrevista que, embora a inteligência artificial possa ser uma aliada criativa de valor, ela vem sendo usada de forma abusiva para a criação de vídeos em massa e sem qualidade. “A mesma tecnologia que permite criar coisas incríveis também possibilita a criação de materiais descartáveis voltados apenas para ‘minar’ visualizações. E é exatamente esse tipo de conteúdo que não queremos em nossa rede”, concluiu.
Conclusão
A combate ao ‘lixo de IA’ é uma questão de confiança e credibilidade. Com a tecnologia de IA cada vez mais acessível, é essencial manter a qualidade e a autenticidade dos conteúdos na internet. As plataformas de mídia social e de trabalho estão tomando medidas para combater esse problema, mas a responsabilidade final está nas mãos dos usuários e criadores de conteúdo.