A Apple entrou com um processo de 41 páginas contra a OpenAI, acusando a empresa de conduzir um esquema coordenado para obter segredos industriais da fabricante do iPhone por meio da contratação de funcionários e ex-funcionários da companhia.

Processo da Apple diz que OpenAI orientou funcionários a burlar segurança da empresa

Abuso de Privacidade e Segurança Interna

Segundo a ação, a OpenAI teria incentivado candidatos a levar componentes de produtos ainda não lançados para entrevistas de emprego, orientado empregados a contornar procedimentos internos de segurança da Apple e utilizado informações confidenciais para desenvolver seus próprios dispositivos de inteligência artificial (IA).

Ex-funcionários e Suas Atividades

A ação gira principalmente em torno de três pessoas: Tang Tan, ex-vice-presidente do Apple Watch e funcionário da Apple durante 24 anos; Chang Liu, ex-engenheiro de sistemas elétricos do iPhone; e Yu-Ting “Alyssa” Peng, também ex-funcionária da empresa. Os dois últimos deixaram a Apple para trabalhar na OpenAI em 2026.

Conduta Coordenada e Normalizada

Ao longo da ação, a Apple procura demonstrar que o suposto comportamento não foi obra de funcionários isolados, mas fazia parte da cultura da empresa. A fabricante afirma que a conduta teria sido “normalizada e exemplificada pela liderança” da OpenAI.

Críticas ao Projeto de Hardware da OpenAI

A Apple também faz duras críticas ao projeto de hardware da empresa de IA: “O negócio nascente de hardware da OpenAI agora repousa sobre bases extremamente frágeis, podres em seu núcleo devido à sua dependência ilegal de segredos comerciais obtidos de forma indevida”. A companhia afirma que as evidências apresentadas representam apenas parte do que poderá surgir durante a fase de produção de provas do processo.

Detalhes sobre Liu e Peng

Um dos principais acusações envolve Chang Liu, ex-engenheiro de sistemas elétricos no desenvolvimento do iPhone. Após anunciar sua saída da empresa, Liu deixou de responder aos pedidos para assinar um lembrete sobre confidencialidade, participar da entrevista de desligamento e confirmar a devolução dos equipamentos corporativos. A empresa afirma que ele não devolveu pelo menos um computador pertencente à Apple e chegou a informar Peng por mensagem que ainda possuía “outro computador”. Liu teria explorado uma vulnerabilidade de autenticação para acessar novamente o sistema interno de armazenamento em nuvem da Apple. Segundo o processo, ele teria baixado dezenas de arquivos confidenciais, incluindo especificações técnicas, documentos sobre produtos ainda não anunciados e apresentações de engenharia.

Orientação de Liu para Peng

A Apple afirma que, mesmo após Liu deixar a empresa, Peng continuou compartilhando detalhes sobre projetos internos, engenharia e relacionamento com fornecedores. Segundo a ação, os dois discutiam em profundidade projetos confidenciais enquanto Liu já trabalhava no desenvolvimento do hardware da OpenAI. A empresa também acusa Liu de orientar Peng sobre como acessar e copiar arquivos dos computadores da Apple “para evitar problemas com a equipe de segurança”, indicando inclusive pastas específicas contendo dados proprietários de engenharia.

Ex-funcionário Tang Tan

Outra acusação envolve Tang Tan, hoje diretor de hardware da OpenAI e ex-executivo da Apple. Segundo a fabricante do iPhone, Tan utilizava entrevistas de emprego para extrair informações sobre projetos confidenciais da empresa.

Conclusão

A Apple afirma que a conduta descrita no processo é apenas parte de uma apropriação indevida que vem ocorrendo em uma escala muitas vezes maior do que as várias instâncias descritas abaixo. A empresa afirma que a apropriação de segredos industriais por parte da OpenAI é ilegal e que a situação representa uma ameaça séria à privacidade e segurança da empresa.

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