Um rim de porco geneticamente modificado manteve Tim Andrews, de 66 anos, sem diálise por nove meses. Depois, ele recebeu um rim humano. O caso, realizado nos Estados Unidos, é o primeiro em que um órgão suíno foi usado como ponte até um transplante humano.
O Caso de Tim Andrews
Andrews tinha doença renal terminal e poucas chances de conseguir um doador. O resultado, publicado na Lancet, mostra como o xenotransplante pode ajudar pacientes que passam longos períodos à espera de um órgão.
O Rim Suíno
O rim veio de Wilma, uma porca miniatura da raça Yucatan, que passou por 69 alterações genéticas antes do procedimento. As modificações tinham objetivos diferentes: tornaram o órgão mais compatível com o organismo humano e ajudaram a diminuir o risco de rejeição. Outras buscavam evitar vírus que poderiam representar uma ameaça ao paciente.
Resultados do Transplante
O rim funcionou por 271 dias. Nesse período, Andrews não precisou fazer diálise. Segundo a equipe do Mass General Brigham, foi o maior período já registrado de sobrevivência sem diálise após um xenotransplante de rim suíno em uma pessoa viva.
Consequências e Futuras Possibilidades
Depois de aproximadamente seis meses, os vasos sanguíneos do órgão começaram a apresentar danos. O problema evoluiu para falência do rim, que foi retirado nove meses após o transplante. Andrews voltou à diálise por alguns meses. Depois, recebeu um rim de um doador humano falecido, que funcionou bem durante os seis meses de acompanhamento relatados no estudo.
Conclusão
O xenotransplante de rim suíno pode ajudar a preencher a lacuna na escassez de rins humanos. O resultado não encerra as dúvidas sobre a técnica, mas demonstra a possibilidade de um rim suíno geneticamente modificado manter um paciente fora da diálise durante meses e, depois, dar lugar a um transplante humano bem-sucedido.
Notas
- A escassez de rins humanos é um dos grandes problemas enfrentados por pessoas com doença renal terminal.
- Andrews tinha apenas 9% de chance de receber um rim humano dentro de cinco anos.
- O caso aponta para diferentes usos possíveis do xenotransplante, incluindo como uma ponte para transplantes humanos.
- Os médicos não encontraram novos anticorpos contra tecidos humanos. Também não foram detectados vírus ou outros patógenos provenientes do porco.
- Novos estudos clínicos terão de mostrar se o procedimento pode ser repetido com segurança em outras pessoas.