A Copa do Mundo de 2022 não apenas marcou o espetáculo esportivo mais esperado do mundo, mas também representou uma mudança significativa na indústria criativa. O audiovisual deixou de ser apenas uma peça publicitária e se tornou um conteúdo vivo, adaptável e em tempo real. Este movimento foi acelerado pela Inteligência Artificial (IA), que permite que marcas adaptem campanhas em poucos minutos conforme comportamento, contexto e audiência.
A Inteligência Artificial e a Democratização do Conteúdo
A IA está democratizando a produção de conteúdo, mas isso não significa que a relevância seja apenas uma questão de escala. A autenticidade passa a ser um diferencial competitivo para marcas, criadores e produtoras. O exemplo mais recente disso foi a Copa do Mundo de 2022, onde marcas como Publiset e Tunad usaram inteligência artificial para sincronizar campanhas digitais conforme os acontecimentos dos jogos.
A Importância do Timing e do Contexto
Em um ambiente de alta concorrência por atenção, a relevância não depende apenas da exposição. Ela depende do contexto. O conteúdo mais eficiente atualmente não é necessariamente o mais produzido, mas o que preza pelo timing, contexto e assertividade da audiência. A audiência responde àquilo que parece espontâneo, próximo e culturalmente conectado.
A Eficácia da Autenticidade
A estética da autenticidade está dominando as redes sociais, com uma linguagem menos publicitária e mais conversacional, influenciada pela lógica dos criadores, do entretenimento e das comunidades digitais. Isso parte do princípio de que a audiência quer se sentir cada vez mais parte dos acontecimentos, mesmo que na esfera digital.
A Integração Criativa e a Humanidade
A IA tende a assumir funções de escala, adaptação e personalização de conteúdo, enquanto o olhar humano continua essencial para a direção criativa, leitura cultural e construção narrativa. A cultura não nasce de automação, mas da interpretação. Grandes eventos como a Copa exigem exatamente essa combinação: operar em velocidade máxima sem perder identidade e produzir conteúdo que faça sentido para as pessoas.
Conclusão
No fim, as marcas que sairão na frente em 2026 provavelmente não serão as que produzirem mais conteúdo, apesar de isso também ser importante. Serão aquelas que conseguirem aliar o uso da inteligência artificial para ampliar presença, mas sem ignorar o contexto cultural do momento histórico que estamos vivendo. Afinal, o que ainda diferencia qualquer boa narrativa é a humanidade.
Fonte: Bruno Capozzi, jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.