Recentemente, os resumos produzidos por inteligência artificial do Google voltaram a ser alvo de críticas após exibirem, em destaque, detalhes sobre o suicídio de Paul Flack em pesquisas relacionadas ao irmão da ex-apresentadora Caroline Flack. O caso foi registrado nesta semana e motivou questionamentos sobre a forma como informações sensíveis são apresentadas aos usuários.
Críticas ao Google
A repercussão ganhou força depois que profissionais da área de SEO e representantes de entidades de saúde mental afirmaram que o conteúdo exibido pela ferramenta contraria recomendações amplamente adotadas para a cobertura de suicídios. As orientações desaconselham dar visibilidade ao método utilizado por representar um potencial fator de risco.
A discussão também reacendeu o debate sobre a responsabilidade das plataformas que oferecem respostas geradas por inteligência artificial, especialmente quando elas sintetizam reportagens jornalísticas e apresentam essas informações de forma mais evidente do que as publicações originais.
Origem dos Detalhes
A situação veio à tona depois que a diretora de SEO e Discover da Reach, Nicola Agius, relatou ter encontrado um resumo automático do Google que apresentava, logo no início da página de resultados, informações detalhadas sobre a morte de Paul Flack. Segundo ela, a ferramenta foi além de confirmar o falecimento e organizou os acontecimentos em seções que aprofundavam aspectos do caso.
Em publicação na rede social LinkedIn, Agius afirmou que a forma como o conteúdo foi estruturado ultrapassou o que seria esperado para um tema dessa natureza. "Google, por favor, pense duas vezes sobre como sua inteligência artificial lida com assuntos sensíveis".
Críticas de Organizações de Saúde Mental
As críticas também partiram de organizações ligadas à saúde mental. As diretrizes elaboradas pelo Samaritans recomendam que veículos jornalísticos evitem mencionar métodos de suicídio em reportagens, sobretudo em títulos. A entidade Mind adota orientação semelhante e alerta que esse tipo de informação pode provocar impacto negativo em pessoas vulneráveis.
A chefe de salvaguarda da Mind, Lois Sparkes, avaliou que a forma como os resumos foram apresentados representa um motivo de preocupação. "É extremamente preocupante, e decepcionante, ver parte da cobertura da imprensa e os resumos gerados por IA incluírem referências a métodos de suicídio", declarou à Press Gazette ao comentar o caso.
Conclusão
A exibição dessas informações em posição de destaque pode ser especialmente prejudicial por atingir pessoas em situação de vulnerabilidade e por oferecer pouca indicação de canais de apoio. Ainda conforme Sparkes, a exibição dessas informações em posição de destaque pode ser especialmente prejudicial por atingir pessoas em situação de vulnerabilidade e por oferecer pouca indicação de canais de apoio.
O Olhar Digital procurou o Google no Brasil e aguarda um posicionamento.
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.