O mercado de veículos elétricos no Brasil cresceu significativamente em 2025, com 223,9 mil veículos eletrificados emplacados. Com mais consumidores avaliando a compra, a interpretação correta das etiquetas virou um ponto crítico de decisão. O padrão brasileiro de medição de autonomia, o PBEV, do Inmetro, é o mais conservador entre os principais ciclos de testes usados no mundo e costuma indicar uma faixa de alcance até 30% abaixo do que o carro consegue percorrer na prática.

Autonomia de veículo elétrico: por que o Inmetro indica menos do que o real

Ciclos de Testes e Autonomia

Cada país adota um ciclo de testes com níveis distintos de exigência. O ciclo chinês é o mais otimista, testando em condições próximas ao ideal, com velocidades baixas e constantes. O europeu (WLTP) é menos otimista, mas ainda tende a superar a realidade. O norte-americano (EPA) é o que mais se aproxima do uso cotidiano: 'se ele fala 300 quilômetros, você vai rodar 300 quilômetros', diz Gauer.

PBEV e Fator de Correção

O PBEV aplica um fator de correção de 30% sobre os testes laboratoriais e, mesmo assim, sai mais conservador do que o EPA, o que o especialista considera injusto com o setor. Gauer explica que o PBEV é o mais conservador entre os ciclos de testes, indicando uma autonomia até 30% abaixo da realidade. A dica prática que ele oferece é de acrescentar entre 10% e 20% ao valor declarado pelo Inmetro para ter uma estimativa mais próxima da realidade.

Fatores que Afectam a Autonomia

Além dos ciclos de teste, Gauer detalha os fatores que afetam a autonomia no dia a dia. O perfil do pneu é um dos mais subestimados: rodas com menor volume de borracha, geralmente as esteticamente mais valorizadas, consomem mais energia e podem reduzir a autonomia em até 20% na comparação com modelos de pneus mais 'gordos'. Pressão mal calibrada e vento contrário representam, cada um, cerca de 5% de impacto. Outro ponto que não é intuitivo: carros elétricos consomem mais energia na estrada do que na cidade, o oposto do que acontece com veículos a combustão. Em baixa velocidade urbana, a resistência aerodinâmica é mínima. Na rodovia, o arrasto cresce proporcionalmente ao quadrado da velocidade. Gauer também contextualiza a autonomia necessária frente ao uso real: o brasileiro percorre, em média, 35 quilômetros por dia. Praticamente todos os modelos disponíveis hoje fazem no mínimo 280 a 300 quilômetros com uma carga, o que, para a maioria dos motoristas, significa recarregar uma vez por semana ou menos.

Conclusão

O PBEV do Inmetro é o mais conservador entre os ciclos de testes, indicando uma autonomia até 30% abaixo da realidade. Gauer sugere adicionar 10% a 20% ao valor do PBEV para uma estimativa mais precisa. Além dos ciclos de teste, Gauer detalha os fatores que afetam a autonomia no dia a dia, como o perfil do pneu e o uso real do veículo.

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