El Niño Formando
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou que o El Niño está se formando e deve causar eventos climáticos extremos ainda em 2026. Segundo o relatório da instituição, existe uma probabilidade de 80% de o fenômeno se desenvolver entre junho e agosto, e uma chance de 90% de que ele persista até pelo menos novembro de 2026.
Impactos do El Niño
O El Niño é um fenômeno climático que ocorre naturalmente a cada dois ou sete anos, caracterizado pelo enfraquecimento dos ventos alísios e pelo consequente aquecimento das águas superficiais no Oceano Pacífico equatorial. De acordo com observações da OMM feitas entre o final de abril e meados de maio, as temperaturas da superfície do mar já se aproximam dos limites do fenômeno, alimentadas por águas subsuperficiais cujas temperaturas ficaram 6 °C acima da média. Esse imenso reservatório de calor injeta uma quantidade massiva de energia na atmosfera, o que altera o regime de chuvas e temperaturas globais.
Preparação para o El Niño
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, alertou para a necessidade de o mundo se preparar para um El Niño “potencialmente forte”. Segundo ela, o fenômeno “irá exacerbar a seca e as chuvas intensas e aumentar o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no oceano”.
Impactos Práticos
Os impactos práticos variam de acordo com a região do planeta, mas costumam envolver extremos. Enquanto áreas como o sul da América do Sul e partes da Ásia Central tendem a receber mais chuvas, a América Central, o norte da América do Sul e a Austrália enfrentam períodos de seca severa.
Uma Janela para o Futuro
Um El Niño forte é definido quando as temperaturas da superfície do leste do Pacífico ficam pelo menos 1,5 °C acima da média. A combinação desse aquecimento natural com a crise climática levou a OMM a emitir um aviso de que 2027 pode se tornar o ano mais quente já registrado na história (sim, pode superar o recorde atual estabelecido em 2024, que também foi um ano de El Niño forte).
Preparação para a África Austral
Em outras partes do globo, as projeções também exigem preparação imediata dos governos. Na África Austral, o pesquisador sênior Izidine Pinto, do Instituto Meteorológico da Holanda, explicou que o El Niño reduz as chuvas na estação úmida, o que vai prejudicar diretamente a agricultura local e limitar a geração de energia hidrelétrica.
Preparação para o Oceano Pacífico
Por outro lado, Antonio Navarra, presidente do Centro Euro-Mediterrâneo sobre Mudanças Climáticas da Itália, destacou que as águas mais quentes no Pacífico criarão um ambiente propício para a formação de ciclones tropicais mais intensos. Já a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) prevê uma temporada de furacões abaixo da média para o Oceano Atlântico devido às mudanças na circulação atmosférica.
Anomalias Climáticas
Os especialistas Pedro Spadoni, Piers Forster e Theodore Keeping, da Universidade de Leeds e do Imperial College London, apontam que as anomalias geradas pelo El Niño funcionam como uma “janela para o futuro”. Segundo os especialistas, o fenômeno permite experimentar antecipadamente extremos de temperatura e chuva que, em cerca de cinco anos, poderão ser “o novo normal”.
Conclusão
O El Niño é um fenômeno climático que deve ser prevenido e preparado. A OMM alerta para a necessidade de preparação e ações preventivas para mitigar os impactos do El Niño em diferentes regiões do mundo.