As principais empresas de semicondutores negociadas nas bolsas dos Estados Unidos registraram fortes perdas nesta sexta-feira (5), em um movimento que eliminou cerca de US$ 1,3 trilhão em valor de mercado do setor. O recuo atingiu gigantes ligadas à inteligência artificial (IA), como Nvidia, Micron Technology e Advanced Micro Devices (AMD), após a repercussão negativa do resultado trimestral divulgado pela Broadcom no início da semana.
Resultado da Broadcom Amplia Pressão sobre o Setor de Chips
O recuo atingiu gigantes ligadas à inteligência artificial (IA), como Nvidia, Micron Technology e Advanced Micro Devices (AMD). A queda também afetou o principal indicador do segmento. O índice PHLX Semiconductor Index (SOX) recuou 10,3% no dia, registrando sua maior perda diária desde março de 2020, período em que a pandemia de coronavírus provocou forte turbulência nos mercados globais.
Nvidia, Micron e AMD Lideram Perdas
A Nvidia, maior fabricante de chips do mundo em valor de mercado, caiu cerca de 6% durante o pregão, reduzindo sua capitalização em mais de US$ 300 bilhões. Já a Micron Technology registrou uma queda de 13%, eliminando aproximadamente US$ 150 bilhões em valor de mercado. A Marvell Technology, que vinha atraindo atenção de investidores nos últimos meses, perdeu 17%, enquanto a AMD recuou quase 11%.
Juros e Mercado de Trabalho
Além das preocupações específicas com o setor de semicondutores, investidores reagiram a dados de emprego nos Estados Unidos que vieram acima do esperado. O cenário reforçou receios sobre a possibilidade de juros mais altos, aumentando a pressão sobre as ações americanas de forma mais ampla.
O Impacto da Broadcom
A própria Broadcom, uma das empresas mais beneficiadas pela corrida da inteligência artificial, perdeu 7,9% nesta sexta-feira. Com isso, a companhia acumula uma queda próxima de 20% nos últimos dois pregões.
Conclusão
Para Ohsung Kwon, estrategista-chefe de ações da Wells Fargo, o movimento está relacionado ao forte desempenho anterior do setor. Segundo ele, as ações de semicondutores estavam excessivamente valorizadas, o que ajuda a explicar a correção observada nos mercados. Ainda assim, o executivo afirmou que não acredita que o atual ciclo de alta do setor tenha chegado ao fim.
Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).