Alerta para a Precisão Meteorológica Mundial
Cientistas americanos e europeus alertaram que a decisão de reduzir o monitoramento oceânico dos Estados Unidos, operado pela Fundação Nacional da Ciência (NSF), pode prejudicar gravemente a precisão das previsões meteorológicas mundiais. A perda desses dados essenciais impedirá o rastreamento seguro do aquecimento global e de tempestades tropicais, o que deve gerar impactos profundos em setores como agricultura e seguros.
Impacto na Precisão Climática
Estudos publicados na revista Nature Climate Change revelam que a ausência dos dados americanos provocará um aumento de 163% no erro das estimativas anuais de aquecimento dos oceanos. Especialistas consultados afirmam que a perda desses dados é pior do que perder aleatoriamente 80% das informações oceânicas do planeta.
Consequências Práticas
A perda desses dados atingirá diretamente a economia e a segurança da população. Agricultores usam as previsões sobre o El Niño para planejar safras e antecipar se a tendência será de seca ou enchente. Num ano projetado para ter El Niño forte, a falta de dados impedirá que governos e produtores agem a tempo para mitigar desastres.
Economia Porca
O professor de engenharia John P. Abraham classificou a medida do governo como 'economia porca'. Segundo o professor, 'o governo dos EUA quer economizar menos de um bilhão em sensores, que são os olhos e ouvidos do oceano'.
Impacto Econômico
Aliás, a plataforma de monitoramento de desastres climáticos bilionária da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) deixará de ser atualizada por 'mudança de prioridades'. Entre 1980 e 2024, os EUA enfrentaram mais de 400 desastres climáticos que superaram US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões) em danos cada. Somente em 2024, o custo total dessas catástrofes chegou a US$ 177 bilhões (R$ 902 bilhões).
Investimento Europeu
Enquanto isso, a União Europeia anunciou um investimento de 92 milhões de euros (R$ 544 milhões) na iniciativa OceanEye para fortalecer o monitoramento global. Mas vale mencionar que o aporte já estava planejado antes da decisão americana.
Conclusão
A diretora climática Samantha Burgess, do Serviço Copernicus, reforçou que as observações diretas no mar são 'insubstituíveis' porque 'não conseguimos ver as profundezas do oceano [a partir] do espaço'. 'Precisamos de cooperação internacional para obter as melhores observações disponíveis e mitigar os riscos em nosso mundo em transformação', acrescentou.
Sem as observações oceânicas, estamos navegando às cegas.