Pesquisadores da Universidade de Sussex, em colaboração com o jornal The Conversation, identificaram a presença de microplásticos em fezes de ouriços no Reino Unido. O estudo, que começou em 2021, examinou solos, invertebrados e alimentos destinados a animais domésticos e silvestres, com foco em possíveis rotas de contaminação por partículas plásticas.

Microplásticos já contaminam rações para cães e gatos

Origem dos Microplásticos

A pesquisa concluiu que a ingestão de microplásticos está disseminada entre ouriços e pode estar ligada principalmente à alimentação fornecida por humanos, especialmente rações industrializadas. Os resultados apontam para níveis relevantes de contaminação em produtos comerciais, levantando preocupações sobre impactos ecológicos.

Análise Ambiental e Alimentar

O estudo conduzido por cientistas da Universidade de Sussex buscou entender como microplásticos estavam chegando ao organismo de ouriços europeus no Reino Unido. O trabalho ganhou forma após a análise de 189 amostras de fezes coletadas em jardins residenciais e centros de reabilitação, nas quais partículas plásticas apareceram em 19 por cento dos casos. Para rastrear a origem dessas partículas, os pesquisadores ampliaram o escopo do estudo e passaram a examinar elementos da cadeia alimentar natural desses animais. Foram analisados milhares de invertebrados e amostras de solo provenientes de 51 locais na região de Sussex, onde foi constatada a presença disseminada de plástico em diferentes espécies e ambientes.

Alimentação Humana e Contaminação

Em paralelo, o grupo investigou a alimentação fornecida por humanos (comum em jardins e centros de cuidado), especialmente rações para gatos, cães e para os próprios ouriços. Ao todo, 38 marcas comerciais foram testadas, com seis unidades de cada produto, revelando contaminação em 29 delas e maior incidência em itens de menor custo. Os resultados também mostraram que alimentos secos apresentavam maior concentração de partículas por grama, embora a ingestão total possa ser maior em rações úmidas devido ao volume consumido. A pesquisa estimou, por exemplo, que um cão de grande porte poderia ingerir centenas de partículas diariamente a partir da dieta.

Conclusões e Propostas

Diante desse cenário, os pesquisadores alertam que a alimentação industrializada pode ser uma via relevante de exposição para animais domésticos e silvestres. Embora os efeitos à saúde ainda não estejam totalmente esclarecidos, há indícios laboratoriais de possíveis impactos em funções biológicas essenciais. A equipe responsável pelo estudo defende medidas preventivas, incluindo maior controle sobre a contaminação na produção de alimentos para animais. A proposta inclui a adoção de testes obrigatórios para microplásticos em produtos processados, com o objetivo de reduzir riscos ambientais e biológicos.

Conclusão

A pesquisa revela preocupantes indícios de microplásticos em alimentos destinados a animais domésticos e silvestres, levantando questões sobre a segurança alimentar e o impacto ambiental. A adoção de medidas preventivas é essencial para mitigar esses riscos e garantir a saúde dos nossos animais de estimação e do meio ambiente em geral.

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