O novo relatório da ONU sobre os oceanos, a terceira edição da Avaliação Mundial dos Oceanos (World Ocean Assessment), destaca o colapso iminente de diversos ecossistemas marinhos e a necessidade urgente de ações para mitigar as mudanças climáticas e a poluição.
O Aquecimento dos Oceanos
Desde a era industrial, os oceanos têm absorvido mais de 90% do calor excedente gerado pela queima de combustíveis fósseis e 30% do CO2 emitido. Nos últimos cinco anos, foi acumulado cerca de 16% do calor oceânico registrado desde 1955. A água quente se expande e, combinada com a água de degelo de geleiras e mantos de gelo, está elevando o nível do mar em ritmo crescente. A taxa de subida do nível do mar passou de menos de dois milímetros por ano antes de 2015 para 4,3 milímetros em 2023.
O Desaparecimento do Gelo Ártico
O relatório aponta que, em cenários mais otimistas, o Oceano Ártico pode ficar sem gelo em setembro até meados deste século. Em cenários mais pessimistas, esse desaparecimento pode ocorrer já na década de 2030. O desaparecimento do gelo ártico tem implicações geopolíticas, já que rotas marítimas historicamente inacessíveis passariam a estar abertas, intensificando a disputa entre Estados Unidos, Rússia e China pela região.
O Colapso dos Recifes de Coral
O relatório estima que 90% dos recifes de coral podem desaparecer caso o aquecimento ultrapasse 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Ondas de calor marinhas e tempestades têm chegado em intervalos menores do que o tempo necessário para os recifes se recuperarem. Algumas espécies de peixes migraram para águas mais frias ou mais profundas, enquanto outras não têm para onde ir.
A Poluição Marinha
A cada ano, 52,1 milhões de toneladas de resíduos plásticos entram no oceano, gerando aproximadamente 24,4 trilhões de partículas de microplástico dispersas por ambientes marinhos em todo o mundo. Mais de 4.000 espécies são conhecidas como afetadas, número que deve crescer à medida que as pesquisas avançam. O documento também levanta preocupações sobre a mineração em águas profundas, uma atividade que ainda não foi iniciada, mas que já está em estágio avançado.
Conclusão
O relatório da ONU chama a atenção para a necessidade urgente de ações para mitigar as mudanças climáticas e a poluição marinha, alertando para os impactos devastadores que podem ocorrer nos oceanos e ecossistemas marinhos se não for tomada ação imediata. O documento aponta que, sem intervenção, o colapso de diversos ecossistemas marinhos e a perda de biodiversidade podem se tornar inevitáveis.