Antifrágilidade

Nassim Taleb definiu três categorias para descrever como sistemas respondem ao caos: frágil, colapsa; resiliente, resiste e volta ao estado anterior; e antifrágil, sai do choque em posição melhor do que entrou. A maioria dos movimentos estratégicos do setor de mídia nas últimas décadas foi resiliente, insuficiente e insuficiente para acumular vantagem.

Resiliência ou antifragilidade?

Mudanças Tecnológicas

Frente à mudança tecnológica, publishers buscaram regulação ou acordos de licenciamento com big techs. O movimento antifrágil é construir conteúdo estruturado que LLMs citam organicamente, independentemente de acordos. A cada core update do Google, quem tem Narrative Authority sai mais forte, porque o campo ficou menos competitivo.

Mudanças de Comportamento

Frente à mudança de comportamento, o setor inundou páginas com publicidade para compensar a queda de audiência. A busca cega por pageviews e CPMs destruiu a experiência e com ela, a confiança. A Lei de Goodhart em ação, quando a métrica se torna o alvo, ela deixa de medir o que importa. 42% da audiência global pratica evasão seletiva de notícias hoje. Parte substancial dessa evasão foi ensinada pelo próprio comportamento predatório dos veículos.

Mudanças Econômicas

Frente à mudança econômica, o setor copiou o modelo de paywall do New York Times e do Financial Times sem ajustar a premissa. Uma assinatura que representa fração mínima da renda de um americano de classe média representa múltiplas vezes mais para um brasileiro. Parte substancial das bases do NYT e do FT são licenças corporativas e assinaturas institucionais, num ecossistema B2B que o Brasil ainda não tem em escala equivalente para um veículo local. Modelo importado sem tropicalização custa tempo, investimento e energia desperdiçada tentando se transformar no que não se pode ser.

Mudança de Influência

Frente à mudança de influência, o setor tentou imitar creators sem ter a autenticidade que os define. O movimento antifrágil não é competir com creators no campo deles, mas se tornar a fonte que valida o que eles dizem, usando rigor de apuração e estrutura de texto que vídeo não entrega, e que LLMs dependem para funcionar.

Conclusão

O setor de mídia precisa adotar uma estratégia antifrágil para responder efetivamente a mudanças tecnológicas, comportamentais e econômicas. Isso envolve construir conteúdo estruturado que LLMs citam organicamente, reconstruir a experiência e apostar em qualidade de atenção, não em volume de impressões. Além disso, é preciso se tornar a fonte que valida o que os creators dizem, usando rigor de apuração e estrutura de texto que vídeo não entrega, e que LLMs dependem para funcionar.

Referências

  • Taleb, N. (2021). Antifrágil: O que a antifragilidade pode ensinar sobre como adaptar a si mesmo e ao mundo. Porto Editora.
  • Spitz, R. (2023). Antifragile, Anticipatory, Agile: Estratégias para um futuro incerto. Dicas em Geral.
AntifragilidadeBriefColunistaOpiniaoResiliencia